domingo, 19 de março de 2017

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             ESTES CONTOS ESTÃO DEVIDAMENTE REGISTRADOS EM NOME DE
RONALDO SOARES DE OLIVEIRA -


Michellefoste bem atendida na Secretaria 
da Saúde? Espero que sim. O que achaste dos
dois contos que leste? Espero notícias.
Um abraço. Ronaldo.

TENHA ÓTIMA LEITURA, SIMONE SANTANA! E GRATO POR
TER ENCONTRADO O MEU CELULAR NA CATRACA DA TRENSURB E DEVOLVIDO. SEJA FELIZ, MINHA AMIGA, MUITO FELIZ...  Ronaldo.



 CONTOS DO VELHO FUDIDO...  
                                
                                                                                        SINOPSE                              

OS DESERDADOS DA SORTE     

 A Coletânea "CONTOS DE UM VELHO FUDIDO" é uma deliciosa e surpreendente coletânea de contos que espero agradar a todos os gostos; nem todos, é claro... De maneira ágil, permitindo que o leitor saboreie o desfecho de cada parágrafo sem mistério ou complicações, mas com indescritível prazer. A leitura flui como a calmaria de um sereno riacho para, de repente, transformar-se numa caudalosa correnteza sem machucar as margens do seu raciocínio. Esses 20 contos permanecerão na memória afetiva do leitor e o farão refletir sobre a condição humana. Principalmente dos deserdados da sorte. Grato!  Ronaldo S. Oliveira.



 ENSINA-ME A MORRER...                                                          conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira                                                                  
                
ENTREOLHARAM-SE e se surpreenderam por desenvolver o mesmo passatempo... Mas vejamos a história deles. Saffira era o seu nome (com dois efes, ela  insistia).  Tinha  27 anos  e  saíra de  um relacionamento  com  um  fim  trágico. Ricardo, 54 anos, teve um matrimônio conturbado que não passou dos 4 anos. Foi aposentado precocemente por conta de um AVC que o deixou com a mão direita imobilizada.

De repente, decidiu que não mais perderia as tardes jogando damas com idosos na pracinha. Foi para o metrô e se encantou com a multidão. Entrava num vagão e descia quatro estações depois... Gostou e fez disso o seu passatempo diário. E adquiriu o hábito de perceber paqueradores; passageiros discretos; abusados, que se encostavam maliciosamente nas mulheres como quem não quer nada; ladrões, típicos por ficarem colados às bolsas dos passageiros ou espiando os desatentos que se esqueciam de vigiar mochilas e sacolas no chão... E, quando o marginal se preparava para saquear a vítima, ele entrava em ação tossindo na sua cara, fazendo-o desistir…

A vida de Saffira tinha um toque mais dramático. Aos 16 anos foi estuprada pelo padrasto. “Abrindo-se uma pessoa pode-se encontrar as mais tristes paisagens...” Assim ela se sentia em relação à violência sofrida. Saiu de casa e trabalhou como doméstica em várias casas. Concluiu o segundo grau, à noite, pelo Supletivo e passou a viver com a avó, que era paupérrima. Logo, em seguida, para evitar despesas foi para casa de uma tia, mas por pouco tempo. Num emprego pouco melhor, no comércio, conseguiu alugar um quartinho mais que modesto e até prestou vestibular para Matemática, que ela adorava... Mas não se classificou para a faculdade pública…

Teve apenas dois namorados e passou a morar com o segundo, por quem se apaixonou. Mas tudo acabou quando ele morreu prensado pela porta defeituosa de
um vagão do metrô.  “A sensação desta morte sofrida se confunde, até hoje, com uma imagem que vai permanecer para sempre”, desabafa. Desde então ela nunca mais  teve  qualquer  relacionamento  amoroso...  E,  após  o  trabalho,  começou  a circular pelos vagões do metrô até às 22 horas e ia dormir. Para Saffira havia pouca ou nenhuma esperança por dias melhores.

A VIDA É COMO AS RODAS DE UM TREM.
                                                  NUNCA ESTÁ NO MESMO LUGAR

Descobriram-se  ao  descer  e  subir  dos  vagões  inúmeras  vezes. Apresentaram-se e entraram na lanchonete de uma estação. Solicitaram seus lanches: Saffira pediu chá preto com um pastel de cenoura, que não havia. Tomou apenas o chá. Ricardo pediu uma latinha de cerveja. Ela se definiu como uma “incompreendida”... E andar pelos vagões se tornou uma experiência muito divertida. Além do que – observava – “tenho salvado muitas bolsas...”.

Ambos  retomaram  o  trem.  E assistiram  a  uma  cena  inusitada: um  casal discutia ferozmente, chegando a trocar tapas, quando o rapaz começou a rasgar as folhas do que parecia ser um diário. Uma das folhas caiu aos pés de Saffira, que a recolheu. O papel dizia, em letras trêmulas, “preciso deixar-te. Não dá mais para aguentar...”. Tal leitura indicou o porquê da briga.  Saffira adiantou-se para intervir. Em seguida, chegou Ricardo. Eles argumentaram que a discussão era inútil, pois já haviam lido uma das razões da moça... Eu tenho experiência – arrematou Ricardo – “vivi quatro anos com uma mulher que eu amava e, de repente, tudo se desfez. A solução foi a separação, sem atritos...” Saffira foi mais direta e acrescentou que “quando um casal chega a este nível, incluindo tapas, é inevitável a separação.”

A reação não foi das melhores. O rapaz, apontando o dedo para o rosto de Saffira, disse raivosamente, antes de pular do vagão: “vai-te fuder!” deixando a mulher dele chorando. Pronto! Descobrimos outro “serviço de trem”... Vamos prestar solidariedade à moça – disse Saffira. Ricardo concordou. A jovem se chamava Angélica e devia ter uns 21 anos. Perguntaram na aonde desceria? A resposta os deixou perplexos. “Vou ficar andando neste vagão até às 23 horas, quando o Mário retorna para casa; pois não tenho a chave do apartamento.” Mas, então, você vai voltar para ele? – perguntou Saffira.  Sim, vou. Não tenho alternativa, respondeu
Angélica. Saffira sussurrou para Ricardo, em tom de brincadeira: “que tal a moça juntar-se a nós nas trocas de vagões?” Ricardo deu um sorrisinho maroto e disse pra Angélica sentar-se, recompor-se e esperar. E assim foi. Às 23 horas, ela partiu para o seu drama rotineiro...

Ambos eram fãs de novela. “Algumas” com a qualidade do bom cinema, concordavam... Falando em cinema, ela diz adorar o cinema americano, especialmente  as  comédias  leves.  E  achava  interessante  sempre  haver  atores negros nos filmes. Mas admirava também o cinema brasileiro e citava “Tropa de Elite”, que assistiu duas vezes. Ricardo elogiava o cinema francês, principalmente o “antigo” (o qual Saffira, pela idade, não conhecera). Gostava das boas histórias, com uma pitada realista, das belas trilhas sonoras, da inesquecível Catherine Deneuve, Alain Delon... E aproveita para lembrar que Saffira tem “o narizinho deliciosamente empinado como a atriz francesa Juliette Binoche”. Pelo que, ela graciosamente agradece.

Ricardo aproveita a observação de Saffira sobre os negros no cinema americano e salienta que “as novelas e filmes brasileiros se parecem com produções dinamarquesas. Todos os atores são brancos, com raras exceções. Especialmente nas novelas...” Ao que Saffira admite que “nunca tinha pensado nisso, mas é uma verdade escandalosa.” Saffira observa, ainda, que no shopping onde trabalha raramente vê uma atendente negra nas lojas. No seu trabalho mesmo não há nenhuma. Ricardo lembra com amargura que um grande colega seu, negro, certamente um dos mais abnegados e inteligentes da empresa em que trabalhava nunca foi promovido. E quando “eu deixei a chefia devido ao derrame cerebral, a vaga que deveria ser dele foi dada  a um funcionário  reconhecidamente  menos qualificado...” E concluiu: “E mais da metade da população brasileira é de negros e mulatos...”

Nunca haviam ido à última estação. “Sonho que na última estação vou encontrar lindos pássaros e anjos. E, assim, acabar com a minha tristeza”, desabafa Saffira. Ricardo, que era ateu (ou à toa, como brincava) disse que pássaros ela poderia encontrar, mas anjos nunca.  Ela era levemente católica e não gostou do comentário. Mas não chegaram a discutir, pois ambos não davam muita atenção para religião. “Depois da morte do meu namorado sou menos que um fragmento do
que já fui...” – assim ela resumia o que sentia. Ricardo desculpou-se e, com um olhar meigo, diz que "a dor nunca se separa da memória..."

O trem foi engolindo trilhos até que surgiu a última cidadezinha da linha. Conheceram casas e ruas superficialmente, mas gostaram do que viram. Especialmente do silêncio do  início  da madrugada.  Passearam  pelas ruas bem cuidadas e Saffira imaginou as coisas sinistras que estariam acontecendo dentro de certas casas...  E coisas belas também – disse o otimista Ricardo. Entrelaçaram as mãos e se afastaram bastante da  estação. Ricardo  tentou trocar de  lado  (pois constrangia-se  com  o  não  funcionamento  da  mão  direita).  Ela  se  antecipou: “observei que você tem um pequeno defeito na mão. Mas quem não tem algum defeito?” Ricardo desistiu de trocar de lado e arriscou a pergunta contida: “vamos procurar  um hotelzinho,  já que  perdemos o  último  trem...” Saffira,  num  ímpeto, separou as mãos e retrucou: “você é como todos os homens. Só quer aproveitar da situação!” Ele, constrangido, afirmou que não. E concluiu argumentando que o trem só voltaria a circular às 5 horas da manhã. Saffira concordou desde que dormissem em quartos separados. Ele assentiu com a cabeça e encontraram um hotel barato.

No momento da inscrição no balcão, para a surpresa de Ricardo, ela pediu para o atendente um único quarto. Mudos, sentaram-se na estreita cama de casal. E Ricardo a tranquilizou: “não vou forçar a barra...” e foi fazer a barba. Ela adormeceu e ele ficou minutos admirando, extasiado, o rosto meigo de Saffira... De repente, ela ergueu os braços, abraçou-o e disse suavemente: “eu não faço sexo há anos. Seja delicado comigo...” Ricardo enlaçou-a com toda a ternura e sentiu a adolescência em seus braços. Fizeram amor inicialmente com timidez; em seguida, desenfreadamente... Depois, exaustos, relembraram os momentos vividos no trem. E ela observou: “não me faça perguntas sobre o passado, por favor...”

Ricardo, timidamente, se encheu de coragem e perguntou se eles poderiam viver juntos, ter filhos, uma casa... E se a diferença de idade seria um obstáculo? Ela o interrompeu colocando a delicada mão em sua boca, acrescentando que “a diferença de idade nada representava, mas era muito cedo para uma resposta." Lembrou que às 8 horas deveria estar no trabalho, virou-se e dormiu. Ele vibrou com uma perspectiva positiva e não conseguiu dormir. Seis horas. O modesto hotel não
possuía serviço de quarto. Ele olhou aquele corpo franzino, pleno de juventude, beijou-lhe a face e desceu em busca de uma padaria.

Depois de muito procurar, finalmente encontrou o pastel de cenoura que Saffira tanto desejava. Comprou três e retornou com chá preto bem quentinho para dois. Saffira ficou radiante com os pastéis de cenoura e insistiu para que Ricardo comesse  um.  Emocionada,  disse  brincando  que  ele,  agora,  era  o  mais  novo natureba da paróquia...

Arrumaram-se e deixaram o hotelzinho. Tomaram o primeiro trem que deixava a estação, e como os passageiros ainda sonolentos, quedaram-se abraçados num banco. Chegando ao final da linha, no centro de Porto Alegre, antes que Saffira se dirigisse para o trabalho, Ricardo pediu para irem à uma lanchonete. Sentaram e ele pediu uma lata de cerveja que bebeu com indescritível satisfação. Ela o criticou por consumir álcool àquela hora e ouviu a seguinte resposta: “para que se privar de pequenos prazeres? Afinal, a vida é como as rodas de um trem. Nunca está no mesmo lugar...”


Ela balançou a cabeça discordando e pediu que ele a acompanhasse até o ponto do ônibus para o trabalho. Eles andaram lentamente e, antes que chegassem no outro lado da rua, um pesado caminhão os atropelou violentamente. Os dois ainda se olharam por segundos e ele balbuciou: “não disse que a vida nunca está no mesmo lugar. Agora ela cede lugar para a morte." Ao que Saffira responde com um restinho de vida: “o metrô não será mais o mesmo...”.


                                                        
                                                             
A ESPERA                                                                                                          
                        Conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira 

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    Eles estavam a menos de seis metros de distância um do outro, num terminal de ônibus. Ambos de capuz, tremendo de frio; ela mal conseguiu vislumbrar o rosto que lhe solicitou as horas. O ônibus dela já ia dar partida quando ele suplicou para o motorista que lhe desse apenas dez segundos, tempo necessário para debruçar-se sobre a roleta e jogar um bilhetinho para ela.

Agradeceu ao motorista e acenou para janelinha onde ela estava. Cabeça descoberta, cabelos longos despreocupadamente despenteados, ela acenou alegremente; mostrando um par de olhos verdes seguidos de um sorriso alvo e tímido.

Com essa perda de tempo ele perdeu o ônibus, mas não se arrependeu. O seu bilhetinho dizia, em letras apressadas: "Menina encapuzada de alegre sorriso - ele se encantara com o sorriso que vira - ficaria feliz em corresponder-me contigo. Só tenho e-mail. Nada de importante tenho a revelar, por isso não tenho Facebook. Envie o seu e-mail e vamos ser amigos! Boa viagem e desejo-te os mais lindos sonhos!" Debaixo rabiscou o e-mail.

Ela, curiosa, ansiava chegar em  casa para digitar algumas palavras para aquele misterioso rapaz.  Não  tão  rapaz assim.  Ele  tinha  cabelos  grisalhos  e a mesma idade de Richard Gere, 53 anos. Mas estava longe, muito longe do charme do famoso ator. Era professor e se aposentara precocemente por conta de um AVC que o deixara levemente manco. Levemente. Usava discreta bengala de aparentes
pequenos nós de madeira; igual àquelas que os exploradores ingleses apareciam nos filmes...

Ela escreveu no seu e-mail: "Oi! meu nome é Leirá, tenho 23 anos, curso Engenharia e adoro ler e curtir música. Você me encontrou num momento difícil. Passo por uma dor quase insuportável; perdi minha cadelinha vitimada pelo câncer e estou em dúvida sobre o meu namorado... que é um tanto sufocante”. E você? Fala- me um pouco de ti.

O e-mail de Odlanor não demorou, com informações básicas, mas sinceras. Ele  pedia  o  celular  dela,  acrescentando  que  não  era  sufocante  e  aceitaria  ser apenas  um  amigo  cordial,  ressaltando  a  diferença  de  idades.  Adorava  o  bom cinema, na telona e na telinha, e também a Fórmula 1 quando havia brasileiro correndo. Contou que a sua fantasia era idealizar uma "máquina do tempo", tal era o seu temor pela velhice. Acrescentou que amava a Música Popular Brasileira. Especialmente Paulinho da Viola; o incrível Raul Seixas; Caetano; Gil; Bethânea; Elis; o falecido Reginaldo Rossi (observa que "Mesa de Bar" é um hino); Martinho da Vila; o maravilhoso Bezerra da Silva (e seu espirituoso "Sequestraram a minha Sogra"); o genial Milton Nascimento e o inigualável Chico Buarque com a sua trágica “Construção”, “Mulheres de Atenas” e “Cálice”, entre tantas obras-primas...

Mas a exemplo de Leirá, que já havia confidenciado sua admiração pelo Rock, Odlanor demonstra o seu gosto pelo Jazz e, consequentemente, pelo Rock. Não se esquecendo de mencionar Chuck Berry (um dos pais do formidável rítmo); Little Richards; as inesquecíveis Mamma (lésbica assumida "naquele tempo", que elevou o Jazz às alturas); a inigualável Billy Holliday; Ela Fitzgerald; o genial e falecido B. B. King; Rick Valley (o portorriquenho que compôs "La Bamba", outro hino); e, finalmente, ressalta o "genealíssimo branco" Elvis Presley. E solta uma frase de efeito, talvez para impressionar: Elvis vive!

Como Leirá talvez tenha observado, Odlanor era "antigo" pelas suas preferências. Se bem que ele salientava que a música boa não tinha idade. Leirá negou o celular, por enquanto o e-mail bastava - disse. “Realmente, gosto das mesmas coisas que você, especialmente escrever. E observei a sua discreta e elegante bengala. Diferente daquelas chamativas de metal. Um charme! Onde a conseguiu? Foi num filme? Quanto a estar longe da figura do Richard Gere, é muita
humildade sua. O cabelo branco e farto como o dele já é uma semelhança... Não para levar-te à Hollywood, é claro (he, he, he)”,  sentenciou brincando.

Noite-sim-noite-não o papo virtual continuava sem a mínima insinuação de um reencontro... O papo virou hábito, sempre de madrugada, até o galo cantar. Um dia ela deu uma dica: estaria apreciando a Parada Gay, domingo, no Parque Farroupilha. Ele foi e com alguma dificuldade avistou-a  com  aquele encantador cabelo desajeitado e longo. Mas não ousou aproximar-se, temendo a rejeição. À noite, pelo e-mail habitual, ela perguntou o que tinha havido? Ele respondeu que simplesmente não a encontrou devido à multidão.


E  seguiram  trocando  e-mails  revelando  identidades  e  diferenças  que  os ligava. Consumiram-se seis meses. Ele viajaria por um longo período e, com medo de uma relutância, fez mil rodeios para, finalmente, pedir que no dia da sua partida ela comparecesse, às 10 horas, na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre. Ele estaria lá para se despedir... E  seguiram  trocando  e-mails  revelando  identidades  e  diferenças  que  os ligava. Consumiram-se seis meses. Ele viajaria por um longo período e, com medo de uma relutância, fez mil rodeios para, finalmente, pedir que no dia da sua partida ela comparecesse, às 10 horas, na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre. Ele estaria lá para se despedir.

Domingo. Dez horas em ponto. Lá estava Leirá, olhando para todos os lados, apreensiva... Odlanor, de trás da coluna  de um prédio, hesitava, hesitava... Foi quando pegou um pedaço de papel, rabiscou algumas frases e entregou para um garoto, alcançando-lhe uma gorjeta. O bilhete dizia: “Você está linda, vou recostar- me na janelinha do ônibus e sonhar que você veio me ver para sermos felizes. Sonhar será melhor... Sonhar com os teus longos cabelos sempre informais e teus olhos penetrantes e felizes. Vou fingir, por momentos, que o ônibus é uma Máquina do Tempo..."

Leirá leu e releu o bilhete. Finalmente, guardou-o pensativa. Por coincidência chovia e ameaçava gear. Vestiu o capuz e dirigiu-se para casa. No terminal do ônibus,  uma  voz  murmurou  o  pedido  de  horas.  Leirá  respondeu  de  maneira inaudível, tomou o seu assento e pensou a célebre frase do Pequeno Príncipe: "cada um é responsável pelo que cativou...”



                                  DIVINA PROSTITUTA                                                                                         conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira


                                                         Visualizar foto na mensagem
                                                               
Ela entra seminua no quarto mal iluminado. Aparentemente, nenhum sinal de vida. Aos poucos, gemidos de satisfação enchem o ambiente. O homem de meia-idade, paraplégico,  exulta  com  a  chegada de Ana Clara. Com voz suave, ela o cumprimenta e lhe dá um suave beijo na face. Ela toma a iniciativa estreitando-o contra si. E inicia uma das sessões programadas para a semana.

Já agora, nua, Ana Clara ergue uma das pernas do seu "cliente" (entre aspas por que ela não gosta da palavra "cliente"). Ana Clara prefere a palavra irmãozinho. E é assim que ela trata os seus muitos irmãozinhos. Ela aceita uma oferta mínima pelos seus serviços, quase uma esmola; e se a família não tem recursos, Clarinha - como todos a tratam - nada cobra.

Persegue os passos de São Francisco de Assis, como devota e praticante. Só que, ao invés de repartir o pão, Clarinha reparte o seu corpo. A igreja Católica ao saber disso, passou-lhe uma reprimenda pública divulgando no jornal a "imoralidade dos atos", no que foi seguida pelos pastores evangélicos…

Ao que Clarinha deu de ombros justificando o que faz como uma obra da mais alta humanidade... E se Deus existe - afirma - estou mais perto dele que estes religiosos hipócritas. E ergue a perna inerte do seu irmãozinho praticando-lhe um delicioso boquete, seguido de uma estimulante penetração. O que ela consegue cavalgando o parceiro com comovente habilidade... Após alguns minutos de santificada paciência, o irmãozinho geme de tesão e ejacula.

Clarinha não abandona a cama rapidamente como uma profissional convencional. Ela passa as mãos com suavidade sobre o corpo do parceiro, beija-o pelo rosto, relaxando-o... Só então dá por encerrada a sua missão. Despede-se e  vai ao  encontro  do  familiar do  irmãozinho,  quando  recebe módica compensação; e segue a sua inusitada rotina. Mas há uma conspiração em andamento contra Clarinha. 

Pastores influentes que dominam - e muito - as consciências das pessoas da pequena cidade do interior determinam uma virada na vida de Clara. Após os cultos, os pastores se deslocam em procissão até à frente da casa dela e passam a hostilizá-la: "Acabem com a Messalina!"; "Basta de Imoralidade!”;  "Esta  Mulher  Ofende  a  Deus!";  "As  Famílias  que  Recebem  os Serviços de Clara são Impuras!" E o cartaz mais agressivo dizia: "Pro Inferno os Aleijados de Clara!" Só faltava jogá-la numa fogueira. Se bem que alguns fundamentalistas bem que gostariam... Sua casa foi apedrejada e sua saída à rua era um tormento.

Para  a  tristeza  dos  seus  irmãozinhos,  Clarinha  teve  que  parar  suas atividades. Eles entraram em depressão e muitas famílias ousaram levá-los, furtivamente, a lugares insuspeitos ao encontro de Clara... Mas também não durou muito. Foram descobertos e a punição foi bárbara: os doentes foram impedidos de sair  de casa e Clarinha embarcada, à  força,  num  trem  de  destino  ignorado. A cidadezinha, para a alegria dos pastores, ficou em aparente paz. Os comentários cessaram e os paralíticos, estigmatizados, ficaram trancados em casa…

Passaram-se 4 anos e, súbito, um terremoto devastou a cidade, aleijando parte dos moradores. Penosamente tentavam reconstruir suas casas. O que mais se via nas ruas eram pessoas em cadeiras de rodas. Entre os voluntários que desciam do trem lotado de socorristas e material de sobrevivência, uma figura conhecida: Clarinha pronta para ajudar. De óculos escuros, ninguém a reconheceu.

Enfermeira  de  recente  formação,  Clara  não  descansava. Mas sabe-se  lá como, alguns dos antigos irmãozinhos a reconheceram. E a notícia se propagou. E os tetraplégicos, paraplégicos e feridos terminais reuniram-se no que restou de um templo e decidiram: "vamos chamar Clarinha para diminuir as nossas dores!" E a aclamaram como Santa Clara dos Desvalidos! E muitos irmãozinhos pediam, 
discretamente, que...
ela voltasse à antiga atividade. Clarinha dizia que sentia muito, mas deveria voltar para a sua nova cidade dentro de uma semana. Mas que ia pensar... Em todas as casas onde houvesse um enfermo, ostentava na frente uma cadeira de rodas ou uma muleta iluminada por uma vela.
Durante esta derradeira semana na cidadezinha ela ainda trouxe algum conforto sexual para uns poucos irmãozinhos, especialmente os mais deprimidos. Mas a intolerância religiosa foi rápida. Liderados por pastores enfurecidos, uma multidão fanática raptou Clarinha; agrediram lhe, raparam-lhe os cabelos, e jogaram- na seminua na estação ferroviária. Em volta do seu pescoço penduraram um cartaz onde se lia: "NÃO VOLTE NUNCA MAIS, SATANÁS!”

A notícia se espalhou rápida e a cidade toda logo estava na estação. Uns apoiavam a fúria dos pastores; e outros, temerosos de tomar posição, apenas olhavam o corpo indefeso de Clara. Um menino, de uns oito anos, piedosamente cobriu o corpo com um pedaço de papelão. Uma chuva fininha foi engrossando, mas ninguém arredava pé.

Foi quando surgiu uma coluna de cadeiras de rodas que abriu caminho em direção à Clara. Os cadeirantes acolheram-na com carinho, vestiram-na, ajeitaram o que restava dos seus cabelos e conduziram-na para um vagão do trem. Suplicaram ao maquinista e outros funcionários que a tratassem bem e deixaram uma robusta sopa com a recomendação de que a deixassem repousar até a cidade grande. A locomotiva partiu deixando os participantes da coluna de cadeiras de rodas tristes e cabisbaixos…


A chuva engrossou e as ruas viraram um lamaçal. Muitos voltaram para reconstruir suas casas. Poucos reconstruíram suas mentes.  A coluna de cadeiras permaneceu durante algum tempo na estação até o trem sumir no horizonte. Uma mulher, entre os cadeirantes, murmurou: "lá se vai à verdadeira Santa Clara..."



E-MAILS AO VENTO
                                              conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira     

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Paraplégico, 42 anos, imobilizado da cintura para baixo. Não bebia nem fumava e fazia exercícios todas as manhãs. Exercício improvisado, mas pra valer. Erguia pesos acima do tronco inúmeras vezes, o  que lhe proporcionava um físico definido. Sua aparência era de um cara de 30 anos e a voz quase inaudível resultava de não ter com quem falar, a não ser sua tia, com quem morava, mulher de poucas palavras e cara amarrada.

   Adquiriu um computador e se encantou com os e-mails, essa possibilidade fantástica de enviar "cartas" em segundos. Como tinha mobilidade nas mãos, decidiu passar e-mails; mas para quem? Não conhecia ninguém além do pátio da sua casa. Ia arriscar um encontro no face book mas desistiu. A possível candidata descobriria, mais cedo ou mais tarde, a sua idade e condição física. Como inscreveu-se num concurso de contos decidiu tornar-se escritor e personagem. Criou uma conta em nome de "aurea@gmail.com" e iniciaram um relacionamento...

1º DIA 

    Querida Áurea, descobri o teu nome e o teu e-mail no face book, sem fotos ou qualquer descrição física. Acho isto bom. O que interessa é o íntimo das pessoas. Também nada falarei da minha aparência, embora não seja um monstro. Apenas vamos conversar. Com afeto, o amigo Otávio.
   - Otávio, pra mim está ótimo. Vamos conhecer o nosso íntimo, "disse Áurea." Há um ano não tenho namorado, pois o único que tive foi assassinado num assalto; e desde então sou menos que um fragmento do tempo em que era feliz. E você, fale-me da sua vida?

  - Pouco ou nada tenho a dizer de mim. Me constranjo, mas admito que sou virgem, não por motivos religiosos, não fui padre; e até considero um absurdo impor tal condição aos padres. Será que o Criador, se é que houve um Criador, concordaria com esse celibato obrigatório? Então por que Ele colocou o sexo no homem, cheio de apetites? Não vejo necessidade em ter religião.  Mudemos de assunto, querida Áurea, até porque eu sou a pessoa menos indicada para falar disso. E tu não pensas em um novo romance?

   - As cicatrizes ainda não se fecharam, caro Otávio. Me concentro no meu trabalho de atendente num hospital e no curso de enfermagem que em breve concluirei. No mais, é um cineminha caseiro na tv ou no youtube; aliás, te dou uma dicaassiste no face um filme maravilhoso que vi 4 vezes: "As Mulheres do 6º Andar". É um drama-comédia, mais drama que comédia, tem até uma pitadinha de luta de classes. A trilha sonora, de uma leveza incrível, é absolutamente envolvente. É a história, de mulheres pobres espanholas que emigram para a França para ter uma vida melhor como domésticas; tem situações e diálogos impensáveis.

O patrão de uma delas, um burguezão conservador, vai repensando o seu conservadorismo estimulado pela postura de Maria, a única das empregadas que fala francês. Ele tem uma esposa completamente fútil, que só pensa em compras e festas e acaba se apaixonando por Maria. Ao separar-se da mulher, sai de casa e vai morar num quartinho vago do 6º andar. Quando os dois filhos vão "exigir" que ele volte para o apartamento da família, ele simplesmente fala que nunca foi tão feliz como naquele pequeno espaço. Não vou contar todo o filme, mas a cena em que o patrão convida Maria para viverem na Espanha, é impagável. Ele diz que trabalhará como pedreiro ou carpinteiro, ao que Maria o interrompe dizendo: "com essas mãos lisinhas, sem calos...?"  É imperdível, querido Otávio! Você gosta de cinema?

   (Visivelmente feliz pelo querido dito por Áurea) responde: vou assistir hoje mesmo "As Mulheres do 6º Andar" mas, antes mesmo, estou emocionado com o teu entusiasmo. Também adoro cinema. Ela interrompe Otávio e afirma:  - taí uma bela identificação entre nós. Não sei de você, mas eu prefiro ver filmes na tela grande do cinema. É completamente envolvente. Desconversando, Otávio pensa na sua condição de cadeirante e balbucia apenas: - Acho que sim, acho que sim...

Ainda falando sobre cinema, Áurea lamenta quando a sessão acaba e o cinema é iluminado. "Sinto que enfiei o pé na realidade e, se o fiscal não pedir pra sair, fico para a outra sessão." 

2º DIA

  - Bom dia, Áurea! Que tipo de preconceitos você tem? - Como assim? ela pergunta surpresa. Nada, nada, desconversa Otávio. - A propósito, como foi a sua infância ? - Nada feliz.Tornei-me órfão de mãe aos 8 anos. Ela tinha traços muito delicados e possuia uma franjinha encantadora; é o que me lembro. Meu pai disse que ia viajar por uns dias, deixou-me com a minha avó, e sumiu para sempre. A minha avó, viúva e pensionista de um salário mínimo e meio, enfrentava severas dificuldades mas possibilitou-me concluir o 2º grau. Ainda menor de idade trabalhei como doméstica em duas casas e na segunda fui violentada pelo filho do patrão. Cidade do interior, longe de tudo, o rapaz também era menor e tudo ficou por isso mesmo. Consegui emprego no comércio e tive um namorado por quem me apaixonei. Mas não durou muito. Ele sofreu um assalto, já te falei, foi baleado e morreu.

Você nunca teve namorada, Otávio?

Uma falta de energia providencial evitou-lhe a resposta.

À TARDE DO MESMO DIA

    - Oi, ÁureaConheces aquele ditado que fala da dificuldade de fazer retornar o excesso de pasta de dente para o tubo? Pois bem, agora após o almoço o excesso foi grande. Deixei cair o tubo e a minha tia pisou em cima. E ela é bem gorda; imagina o prejuízo. Era o único tubo que havia em casa...

Não, não é possível tamanha coincidência, observou Áurea, "o meu tubo acaba de cair no vaso sanitário. A sorte é que eu tinha dois estocados. Nunca mais vou deixar o vaso aberto. Somos feitos de coincidências, meu querido. Precisamos nos conhecer. Otávio emudeceu. 

- Áurea, tenho uma gatinha, a Preta, que é uma fofura. Sempre que uso o computador, ela se esparrama em volta do teclado e até dá "enter" com o rabinho. Tens algum bichinho de estimação? - Tenho um cachorrinho vira-lata que adora uma galinha que apareceu aqui no quintal. Ele é muito novinho e está crescendo na companhia dela. Dormem juntinhos. - Ah, então você mora numa casa. Isto é ótimo. Eu vivo confinado num apartamento térreo. 

NOVO CONTATO, JÁ À NOITE 

E o Carnaval de 2016, Otávio, como foi? - pergunta Áurea. "Assisti o maravilhoso desfile das Escolas de Samba do Rio. Foi algo deslumbrante, incrivelmente inventivo."

- Também achei, disse Áurea.  Antes que ela completasse o pensamento, Otávio lembra, criticamente, uma cena marcante: - Uma das madrinhas de bateria da Escola de Samba Peruche, de São Paulo, foi brutalmente empurrada e chutada para fora da pista porque tentou tirar a roupa como protesto. Só teve tempo de mostrar os seios nus. Logo os seguranças da escola a agarraram e a chutaram para fora da pista. De salto alto, a pobre jovem desequilibrou-se e caiu. Por que esta hipocrisia num desfile em que grande parte das mulheres sambam seminuas, querida Áurea?  

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Depois se soube pela imprensa que ela desejava colocar a frase Fora Dilma! na frente do tapa-sexo. E digo mais, salienta Áurea, "quem desconfia fica sábio; por isso penso que a moça queria produzir um efeito muito acima da nudez ou sexo; o que a 'zelosa' escola de samba não podia permitir... Num bloco essa irreverência seria possível, pois os blocos não estão amarrados a 'compromissos' com o governo. Já as escolas mamam nas tetas do poder."

Otávio vibra com a observação de Áurea: "Como estamos identificados! Pelos comentários nas redes sociais verifiquei que muita gente não entendeu a atitude da moça..."Mas me diga uma coisa, Áurea, de onde você tirou esta bela frase  'quem desconfia fica sábio'?" Deixa pra lá - ela responde orgulhosa -  "foi de algum livro..."

Otávio retoma o assunto: "Houve outra exceção. A Escola de Samba Mocidade de Padre Miguel desfilou com o enredo "O Brasil de la Mancha, sou Padre Miguel" criticando asperamente a corrupção. Foi um embate literário entre Dom Quixote e os corruptos. E o mais audacioso: a escola mostrou uma carroça cheia de corruptos, sem citar nomes, que por um ótimo artifício todos estavam invisíveis;  mas identificavam, claramente, dois personagens pelas roupas: um terninho vermelho personificando claramente Dilma e uma luva preta, faltando um dedo, indicava Lula. Mas ainda é pouco protesto para mais de 20 escolas desfilando nos sambódromos do Rio/São Paulo", arremata.

Outro detalhe, ressalta Áurea: "os negros, fundadores do samba, estão sumindo. As madrinhas de bateria, com raríssimas exceções, são brancas famosas que só aparecem nas comunidades durante o Carnaval. A presença negra ainda se impõem na bateria, porta-bandeiras e mestres-salas. Não se trata de um sentimento racista; é só uma constatação..."

3º DIA

Otávio salienta que já falaram de cinema, carnaval, corrupção. Quase nada sobre romance. Então faz a pergunta presa na garganta: "Quando poderemos nos encontrar, Áurea? - Um grande silêncio. "Moro em outra cidade, bem longe, Otávio. Mas vamos marcar um dia, tá?" Otávio se apressa e combina o dia:  "Sábado que vem vou te esperar na rodoviária," com o que Áurea concorda...
Otávio não envia qualquer e-mail. Pergunta-se qual seria a reação de Áurea ao ver um cadeirante quarentão à sua frente? E ocorre-lhe a "Alegoria  da Caverna", de Platão, onde prisioneiros desde o nascimento permanecem acorrentados numa caverna escura podendo olhar somente para frente. Seria o caso de Áurea à frente de um cara diferente? Será que ela, a exemplo dos prisioneiros da caverna, consegue libertar-se do que as convenções lhe ensinaram. Ou ficará confinada aos preconceitos?...

4º DIA
Otávio não envia qualquer e-mail. Pergunta-se qual seria a reação de Áurea ao ver um cadeirante quarentão à sua frente? E ocorre-lhe a "Alegoria  da Caverna", de Platão, onde prisioneiros desde o nascimento permanecem acorrentados numa caverna escura podendo olhar somente para frente. Seria o caso de Áurea à frente de um cara diferente? Será que ela, a exemplo dos prisioneiros da caverna, consegue libertar-se do que as convenções lhe ensinaram. Ou ficará confinada aos preconceitos?...

5º DIA
                                                            Exibindo image.png



Eis que surge o sábado. O desembarque de Áurea será às 11 horas. Otávio levanta cedo. Deixa a cadeira de rodas brilhando e às dez toma o ônibus que o deixará na rodoviária.. Chega com 30 minutos de antecedência. E fica parado no meio do saguão com uma placa que anuncia: AQUI OTÁVIO.

Exibindo image.png

E ali permanece até ao 1/2 dia; 13h30m; 15 horas. Um funcionário da lanchonete próximo à cadeira de Otávio se aproxima e pergunta se ele quer comer alguma coisa? Otávio diz que não tem fome. As horas vão passando e consomem a tarde. Ele pensa se ela não terá confundido com 11 da noite. E relaxa. A noite se faz presente. As 23 horas estão próximas. O funcionário da lanchonete, penalizado, oferece uma garrafinha de água mineral que Otávio aceita. O grande relógio do saguão  marca 23 horas. Otávio ergue a placa AQUI OTÁVIO e a sustenta bem acima da cabeça por 15 minutos. Por fim, descansa. Olhos fixos no relógio apenas vislumbra os ponteiros de maneira turva. E prossegue esperando... Esperando... Esperando... Esperando... Esperando... Esperando...



                                     


    O ÚLTIMO ORELHÃO                                                                       conto registrado por Ronaldo Soares de Oliveira

             Exibindo orelhao.png                             

O vilarejo estava situado nos cafundós da Amazônia. Luz elétrica não existia e celular não alcançava a região. Ou melhor, havia um orelhão ali plantado há mais de 10 anos, funcionando sem a necessidade de fichas... Mas ninguém o usava, pois não havia para quem ligar. E o aparelho era cuidado como uma relíquia, pois não tinha quem lhe fizesse manutenção; e aparentemente estava esquecido de qualquer empresa  de  telecomunicações,  talvez  por  considerarem  algo  obsoleto  ou  por piedade daquela gente tão miserável.

Até que um dia formandos de uma faculdade de medicina e de odontologia lá chegaram na condição de voluntários. Deveriam ficar por duas semanas, mas lá permaneceram seis meses tal era a necessidade de saúde, especialmente bucal. Reduziram a mortalidade infantil, ensinaram métodos de higiene e alimentação saudável com a construção de hortas que entusiasmou a todos...

Luciana, que era urologista, ensinava hábitos até então desconhecidos pela comunidade. Promovia aulas de sexologia desmitificando tabus como a virgindade. Suas aulas eram frequentadíssimas e ela conseguiu atrair os homens, sempre arredios. Como única ligação com a civilização, o orelhão era concorridíssimo. Os voluntários faziam fila para comunicar o adiamento de sua permanência aos familiares e à universidade. Mas se queixavam de que o aparelho estava a cada dia mais fraco, quase inaudível...

Quem mais entendia do orelhão era Pedro, um homem simpático de meia idade, de poucas palavras e personalidade impenetrável. Suas únicas palavras, sempre, eram sim e não; não importando a pergunta. Era contraditório. Se lhe perguntassem se o aparelho estava bom, ele poderia dizer que sim e, no minuto seguinte, responder que não... Pedro morava só, distanciado dos demais, fazia a
sua própria comida e, surpreendentemente, sabia ler e escrever. Acredita-se que tenha aprendido, há uns 20 anos, com um explorador inglês que também deixou-lhe de presente “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, único livro que Pedro lia e relia com obsessão.

Luciana,  a  urologista,  soube  da  história  de  Pedro  e  resolveu  procurá-lo, apesar dos senões de toda a comunidade. Ainda assim ela foi. A porta da choupana não se abriu mesmo com as muitas batidas desferidas pela médica. Luciana fingiu que desistira e a uma certa distância, por detrás de uma árvore, observou que o solitário Pedro a vigiava por uma fresta da janela. Ela deu meia volta e rumou resoluta, em direção à choupana. Bateu, bateu, bateu e nada... Então, sabedora da história do livro único, pôs em execução uma ideia: começou a emitir conceitos sobre o livro "A Origem 
das Espécies" que, surpreso, Pedro respondeu enriquecendo os tais conceitos. Para, em seguida, abrir a estreita janela para ouvir e se fazer ouvido...

Luciana pediu que ele abrisse a porta para que pudessem conversar melhor. Ele pensou, pensou; demorou uns cinco minutos e, com reservas, abriu a portinhola. Não havia onde Luciana pudesse sentar e ela puxou conversa assim mesmo. Hesitando em responder, ele disse que só falaria sobre o livro ou, então, que ela fosse embora! Ela concordou, mas perguntou se ele gostaria de ler outros livros? A resposta foi um sonoro não; repetindo que aquele seria o único livro da sua vida. E, assim, passaram mais de três horas lembrando passagens do livro... Pedro dava uma aula sobre a "Origem das Espécies", afinal ele conhecia o livro de Darwin de cor.

Quando Luciana insistiu que era interessante ele tomar conhecimento de outras obras, aproveitando a sua inteligência, ele se irritou e mandou-a embora. Ela perguntou  se  poderia  voltar  no  dia  seguinte?  A  resposta  ficou  atrás  da  porta fechada. Mas foi um progresso. Ela conseguira quebrar o gelo daquele homem solitário.  A comunidade e os colegas de Luciana quase não acreditaram. No dia seguinte, sabedora dos hábitos de Pedro, ela foi procurá-lo. Ele acordava às 5 horas, um pouco antes do sol nascer, tomava um banho de rio e preparava seu próprio café, ou melhor, chá, que consistia de 2 bananas, 1 laranja, 1 naco de coco e uma caneca de chá...
Luciana o surpreendeu quando ele ainda não terminara o desjejum numa mesa improvisada. Antes que Pedro reprovasse a sua visita, ela se adiantou e perguntou de um fôlego só: "E o que foi feito do Beagle, o valente navio de Darwin?" A pergunta o embaraçou ficando sem resposta. Luciana, então, com muito tato observou: "É pra isso que servem outros livros..." E o que aconteceu com o navio? - pergunta Pedro cheio de curiosidade. Ela conta o destino do navio reafirmando a utilidade da leitura. Pedro lamenta não ter outra cadeira e oferece a sua. Luciana agradece e diz esperar que ele terminasse o chá. Depois, sem que Pedro se dê conta, eles já estão falando de outros assuntos... E, animadamente, ela convence- o,  já sem muita persuasão, a conhecer os seus colegas.

Um dos voluntários, que é psicólogo, surpreende-se com a inteligência de Pedro, considerando-o nada menos que um superdotado. Todos os voluntários trouxeram, além dos livros técnicos, boa literatura nacional e estrangeira. E de bom grado presentearam Pedro com muitos livros, que ele foi devorando com um apetite invulgar. Sempre a seu lado, Luciana foi dirimindo as dúvidas que surgiam... E, às vezes, Pedro inventava dúvidas só para ficar ao lado dela. Faltavam apenas três dias para os voluntários retornarem. E Luciana comunicou a Pedro, prometendo enviar-lhe outros livros. Ele lamentou a decisão e pediu que ela ficasse, o que seria impossível - ela disse -, argumentando que tinha inúmeros compromissos em sua cidade. Além, é claro, dos relatórios que a universidade esperava.

Duas lágrimas discretas verteram dos olhos de Pedro e outras foram escondidas de Luciana por seus rápidos passos em direção à mata... E lá ficou, sem voltar para choupana. Luciana o procurou, em vão. Finalmente, depois de uma triste reunião de despedida, em que aquela pobre comunidade do fim-do-mundo demonstrou todo o seu agradecimento aos voluntários, eles embarcaram na lancha que os levaria ao continente...Não encontrando Pedro, Luciana deixou-lhe um carinhoso bilhete debaixo da porta da choupana, que dizia: "Meu querido e inesquecível amigo Pedro, lamento não ter podido me despedir de ti. Lamento de verdade! Não vou esquecer-me da pureza que encontrei aqui... E principalmente do ser humano maravilhoso que você é. Que bom se a cidade grande um dia adquirir a simplicidade e a grandeza de caráter desta comunidade... Por isso, meu amigo, é bom que permaneças aqui para
que não percas esta qualidade tão rara. Eu quem deveria ficar aqui... Sei lá... Vou te telefonar. Cuida bem do orelhão, ele é teu. Um saudoso abraço! Luciana”.

Luciana, logo que chegou à cidade ligou para a comunidade. Chamaram Pedro, que veio correndo e conseguiu dizer apenas sete palavras antes da ligação ir enfraquecendo, enfraquecendo, até desaparecer de todo. Naquele momento, em algum lugar, uma empresa de telecomunicações acabava de desativar o que eles chamaram de "o último orelhão".

Mas Luciana ainda conseguiu ouvir e gravar no seu celular aquelas sete palavras: "Luciana, que saudades! Como eu te amo...” E lágrimas rolaram dos seus olhos, como Alice, do País das Maravilhas, ao despedir-se do Chapeleiro romântico; e o pensamento a deslocou para aquela comunidade do fim-do-mundo... 


conto-verdade
ESTUPROS, UMA BOA LEI 
E UM JUÍZ CONTRADITÓRIO
          (Texto de Ronaldo Soares de Oliveira, publicado em 02/12/2014, no blog "Classificados Grátis e muita Bronca")

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A violência sexual contra as mulheres (leia-se estupro) nasceu com o "decobrimento do
Brasil". Neste primeiro momento os portugueses estupravam as indígenas até 
valendo-se da poligamia daquele povo. Com a importação dos escravos negros caçados na África foi a vez da mulher negra servir à cozinha e à cama do senhor igualmente estuprada.

Durante certo tempo no Brasil, há cerca de 25 anos, o marido tinha direito de usar o corpo da mulher (mesmo contra a vontade dela); e há uns 10 anos no Direito Brasileiro o estuprador que casasse com a estuprada, sua vítima, ou ela casasse com um terceiro estava extinta a punibilidade do crime. Ou seja, arranjando um marido para moça, estava tudo "resolvido". Então, o ministro Gilmar Mendes, do STF, derrubou esta lei absurda impedindo a extinção da pena, o que foi um grande ganho para o convívio social. 

Mas o ministro é um tanto contraditório. Neste ano de 2016, o mesmo magistrado Gilmar Mendes concedeu habeas corpus para o médico Roger Abdel Massih, condenado a 278 anos por 58 estupros contra pacientes suas durante tratamento de fertilização artificial. Diante dessa medida inusitada, a jornalista Mônica Iozza publicou no instagram a seguinte expressão de opinião: "Não sei o que esperar de Gilmar Mendes"... dentre outras farpas não configuradas como "crime de imprensa".

Foi o suficiente para o ministro Mendes processá-la e obter ganho de causa por determinação do juíz Giordano Resende Costa. A jornalista foi condenada a pagar
R$ 30.000,00! Pelo que centenas de pessoas, através das redes sociais, estão protestando. Mônica vai recorrer.

Quanto às mulheres espancadas, elas encontram socorro na Lei Maria da Penha que agora
ganhou um reforço: a mulher espancada que comunicar a agressão à polícia já não pode 
retirar a queixa e o marido espancador é obrigado a ficar distante da esposa por 300 metros.

De avanço em avanço a felicidade e segurança das mulheres está prosperando. Que o digam as feministas...

Ah! não esqueça de assinar o abaixo-assinado
CONTRA A MATANÇA DOS
ELEFANTES, essas doces criaturas.

RESERVE 10 SEGUNDOS E UM POUCO D
              BOA VONTADE PARA ACESSAR 
           ESTE LINK.
           Estão assassinando os ELEFANTES. Impeça! assinando o abaixo-assinado.       

                            Acesse AQUI: https://secure.avaaz.org/po/yahoo_ivory_loc_/?toRiibb

                                       
                                   MULHERES NEGRAS
O Brasil é um país descaradamente racista.
A população branca raramente lembra 
dos 400 nos da terrível escravidão
a que o negro foi submetido. Procure uma
atendente negra num shopping ou numa loja
elegante da rua da Praia?
Você não encontra. O mercado costuma negar
oportunidade às moças negras, mesmo
as mais qualificadas... Com raras exceções, 
como a matriz da Sonatura, no chique bairro 
Independência: a loja acaba de contratar 
duas jovens negras. E, exemplarmente, promete 
continuar na contramão do insensato mercado. 
Um detalhe: o negro está sumindo do 
Carnaval. As cenas televisivas da festa neste 
ano de 2017, em todo país, principalmente 
no Rio de Janeiro - o berço do Carnaval criado 
pelos negros -; se constatou isso. Os muitos 
blocos eram compostos de maioria, esmagadora 
maioria branca. Ainda salvam-se 
porta-bandeiras, mestres-salas e parte das 
baterias e seus maestros... Rainhas de bateria 
são todas brancas, "celebridades" com as 
exceções pontuais que não vivenciam o 
ambiente das escolas... Até nesta grande 
festa estão anulando os negros.
É como alguém já advertiu: a mulher negra 
também existe depois do Carnaval... (RSO)


Como obter os contos da 2ª parte
que completam a coletânea?
Envie o endereço do seu 
e-mail e peça a 2ª parte.
Simples assim.     
                                          
                    EIS OS CONTOS DA 2ª PARTE:                                    
                              UM OLHAR PROFUNDO 
                                      ZELANDO PELO PLANETA...
                               
                                                                              
                                        VIAGEM NO TEMPO PARA
                                      ENCONTRAR CABRAL...            
                                 .Imagem inline 1

                                               CONTO-VERDADE
                                              CHICO BUARQUE ESQUECEU
        DAS "TENEBROSAS TRANSAÇÕES"
(texto de Ronaldo Soares de Oliveira, que adora o Chico e pede-lhe desculpas se o ofendeu.)

                                            Resultado de imagem para chico buarque abraçado a lula
                        REFIRO-ME À GENIAL CANÇÃO "VAI PASSAR"
                        EM QUE CHICO CONDENAVA AS  "TENEBROSAS                               
                        TRANSAÇÕES" OCORRIDAS NOS ANOS 70, OS
                        "ANOS DE CHUMBO", E AGORA FECHA OS 
                        OLHOS PARA AS CONDENÁVEIS TRANSAÇÕES
                        QUE O PT, JUNTAMENTE COM OUTROS PARTIDOS                                                
                        QUE SEMPRE ROUBARAM...         SÓ QUE O PT,
                        SEMEADOR DA ESPERANÇA E HONESTIDADE,  
                        NÃO PODERIA RASGAR A SUA SAGRADA 
                        BANDEIRA E MENOS AINDA ADOTAR UM 
                        DESPREZÍVEL POPULISMO.  DO ALTO DO SEU 
                        INEGÁVEL CONCEITO, O CHICO DEVERIA 
                        EXIGIR A REFUNDAÇÃO DO PARTIDO.


CONTO-VERDADE
O ALUNO COMPARECEU À AULA DE CHINELOS
E O PROFESSOR SURGIU CALÇADO NA INTOLERÂNCIA...

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PONTEIROS



AS MENINAS DOS 
CABELOS VERDES


A LONGA NOITE DOS MENDIGOS


UM HOMEM SÓ... 
2 CAMISAS E
2 TERNOS IMPECÁVEIS




SULCOS & RUGAS




A VIDA NÃO VALE A PENA




           UM MORTO PRECAVIDO,
                 MAS NEM TANTO...




FRANJINHA
Iara tinha a mesma simpatia da atriz Anne Hathaway


PALAVRAS
 


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O TODO PODEROSO PODERIA TER EVITADO OS CRIMES BÍBLICOS?
Você lê a Bíblia racionalmente?  Não. Então leia, principalmente
Velho Testamento. Ele está cheio brilhantes ensinamentos, mas
também de mortes desnecessárias, genocídios e todas essas
maldades atribuidas ao TODO PODEROSO; como o afogamento
de toda a população(!?) que não obedecia ao senhor no episódio
da Arca de Noé. Ou nas 10 pragas inflingidas ao Egito para que
libertasse o "povo de Deus". Ora, se Deus é inquestionavelmete
poderoso, sobrenatural e, acima de tudo, "justo e bondoso" porque
então ele não transformou todas atrocidades bíblicas em atos de
absoluta paz? (Para saber mais leia a 2ª parte da coletânea...)


PRECISANDO DE 1 REDATOR EXPERIENTE ?
- Revista, jornal ou qualquer mídia em qualquer parte do país é só
ligar para Ronaldocelular (51)98474-0903 - e-mail telleronaldo@
gmail.com (Grato).    



CACHAÇA DO BOLO

NÃO  CONFUNDIR COM A "CEREJA DO BOLO..."

( PAPO RACISMO )

Texto embriagado de indignação de Ronaldo S. Oliveira


       Pergunto: gordo ou negro não bebem cerveja? Claro que bebem. E muito. Agora, encontrem estas duas personagens, nitidamente, nos anúncios de cerveja na TV? Você vai encontrar, sim, DESFOCADAMENTE e em menos de 1 segundo de duração. Só para constar... Mulheres negras e gordas, mesmo branca gorda, então, nem pensarPara a publicidade ELAS NÃO EXISTEM! Isso é RACISMO. Não tem outra conceituaçãoSerá que esta atitude parte da cabeça dos fabricantes de cerveja ou dos publicitários? Seja lá de quem for, pau neles!


VAMOS DAR NOME AOS BOIS


A BRAHMA mostra, desfocadamente, uma mão segurando um copo, uma cabeça balançando ou mulatas seminuas sambando, aí, com visibilidade. E no seu elenco tem astros negros como Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz.

Já a "nossa" POLAR (que é daqui!) os anúncios parecem ter sido feitos na Noruega...

      A SKOL - VIVA! - AGORA EM JANEIRO DE 2017 NÃO SÓ COLOCA NEGROS EM SEU
ANÚNCIO TELEVISIVO COMO APRESENTA UM CASAL BICOLOR - UM NEGRO, bem negro, não um "mulatinho", SE BEIJANDO NA BOCA COM UMA LOURA. ESSA "OUSADIA", É CLARO, ACONTECE EM NOME DO MERCADO, POIS NEGRO BEBE MUITA CERVEJA, PERCEBEM, NÉ... MAS JÁ É UM COMEÇO...

Na KAISER, a aparição é mínima. O negro passa tão rápido que é difícil notar! Até um esquimó aparece, nitidamente, como o "garoto-propaganda" Kawaka...

 
A HEINEKEM produz filmes com grande sofisticação mas com um único e solitário negro (não desfocado)... 

A ANTARCTICA repete muito a imagem machista da "mulher gostosa"... Associando a cerveja à uma "loura sexi", despudoradamente sexi...



A SCHIN, que perdeu o ZECA PAGODINHO para a BRAHMA, desconhece  GORDOS e NEGROS... Pelo menos com nitidez...

 DEVASSA-NDO CONCEITOS

       "É PELO CORPO QUE SE CONHECE A VERDADEIRA MULHER NEGRA". É assim que a publicidade da DEVASSA tentou promover a sua cerveja preta, a Tropical Black, seguida de uma ilustração hipersexualizada. A frase, sexista e racista, segundo o Movimento Negro e Organizações Feministas, levou o Ministério da Justiça a processar administrativamente a Brasil Kirin, do Grupo Schincariol. Pergunta-se se a mulher negra "normal", gorda ou magra, não supersexualizada deixaria de ser verdadeira?!
   Segundo o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), "é direito básico do consumidor a proteção contra a propaganda abusiva. Na sociedade de consumo, a publicidade é um indicativo do padrão ético adotado pelas empresas para oferta de produtos e serviços. Não se pode admitir que para vender alguma coisa, sejam utilizadas mensagens discriminatórias que reforcem estereótipos de gênero e étnico-raciais e que aprofundem as desigualdades". 

 Pelas suas normas "a propaganda de bebidas alcóolicas não pode ter como principal apelo a sensualidade, no que os fabricantes de cerveja exploram o corpo da mulher como "símbolo", "a mulher-ideal", "a mulher-ilusão", "a mulher-hipersensualizada" a serviço dos desejos masculinos, cujos efeitos pedagógicos são altamente negativos para garotos e garotas reduzindo à coisificação da mulher. Especialmente para jovens em construção de uma visão crítica onde a sua capacidade de fazer escolhas é facilmente seduzível pela propaganda". E pedir uma Devassa - assegura a publicidade - é "pedir a dose certa de segundas intenções".
      Já que a lei demora uma eternidade para disciplinar esta terra de ninguém, este blog não dará trégua pra eles! 
















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